23 June 2007

Velhos Sótãos

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pó omnipresente, espaços de esquecimento.

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Amenos estares onde o sonho ganha volume quando o olhar se entrecorta entre os esconsos tectos e a escada que range.
São viagens. Teatros da memória onde o tempo se sedimenta.… sussurros, sopros ao ouvido.
Caminho em passos de indiscrição, escovilho o passado.
Recupero-me e destempero-me.
…velhos baús de onde espreitam dissimulações de Arlequins e Columbinas,
…diários e missivas que soltam palavras esboroadas
...afagos com letras,
…fotografias que estratificam vidas ocultas, histórias por contar presas em gestos e para lá dos olhares,
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Velhos sótãos, espaços de memorar…
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*Imagem Maurtis Cornelis Escher
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4 comments:

rigoletto said...

Mais do que comentar seja o que for, quero manifestar o agrado pelo reaparecimento deste espaço.
Espero que seja para ficar, desta vez.

Obrigado por isso.

isabel mendes ferreira said...

escavar o passado .... assim!


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um redobrado prazer.




subscrevo o comentário do R. acima.


beijo T.

Zénite said...

Sou dos que chegam sempre tarde e a desoras. Voltarei a horas mortas, nas dobras de uma noite qualquer. Porque adorei o que acabo de ler e não posso, por enquanto, ler mais.

Abraço.


soltarás então as ferragens das arcas envelhecidas onde jazem encourados o silêncio macio, os sorrisos, os lamentos, as palavras antigas; e recordarás as amoras bravas, a brisa, os brilhos, a poeira fina e o saibro dos caminhos, saltitando como guizos sobre as margens. todos eles, lenta e obliquamente escorrendo, de asas abertas, perfurando o silêncio; suavemente fluindo, gotejando sempre, como se reavivadas palavras brotando de um palimpsesto saído das dobras de um tempo qualquer.

Anonymous said...

Tão belo o que escreves!

Ecos de silêncio, murmúrios, risos, lamentos e poeira fina sobre as arcas da memória inteira incendiada.
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"…Ser simples até à origem ao elementar. Tudo esquece tão cedo e se consome e é inútil no sótão de nós. Há uma leve neblina a toda a superfície, a respiração da noite."

"Até ao Fim", Vergílio Ferreira

Urgia voltar aqui. Não me sentiria bem se o não fizesse.

Agora, sim, outono-me. Sei que é esta a estação de que mais gostas. Também eu.

Abraço, amiga!

Zénite